Perfil epidemiológico de mulheres não gestantes em pelotas: um estudo transversal sobre sífilis
Syphilis in non-pregnant women
DOI:
https://doi.org/10.5327/DST-2177-8264-1456Palavras-chave:
sífilis, epidemiologia, mulheres, infecções sexualmente transmissíveis, saúde públicaResumo
Introdução: A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível de alta relevância em saúde pública, com crescente incidência no Brasil. Embora haja protocolos de rastreamento em gestantes, há lacunas no conhecimento sobre mulheres não gestantes. Objetivo: Descrever o perfil sociodemográfico e comportamental de mulheres não gestantes atendidas em serviços de saúde de Pelotas, RS, e os fatores associados à positividade em testes treponêmicos para sífilis. Métodos: Foi realizado um estudo transversal entre agosto de 2023 e dezembro de 2024 com mulheres não gestantes (15–70 anos) atendidas em ambulatórios e Unidades Básicas de Saúde vinculadas à Universidade Federal de Pelotas. A amostragem foi não probabilística. Dados sociodemográficos, comportamentais e de conhecimento sobre sífilis foram coletados por meio de questionário padronizado e testes treponêmicos rápidos. Análises descritivas e teste do qui-quadrado foram realizados (p<0,05). Resultados: Foram incluídas 2.021 mulheres (média de idade: 32,6 anos; desvio padrão: 8,3 anos). A prevalência de testes treponêmicos reagentes foi de 3,2% (64/2.021). Houve gradiente educacional, com maior prevalência entre mulheres com menor escolaridade (4,7% no ensino fundamental incompleto vs. 0,85% no ensino superior; p<0,05). Mulheres solteiras e em relações com múltiplos parceiros apresentaram maior prevalência. Não houve diferença significativa entre as faixas etárias. Conclusão: A elevada prevalência de sífilis em mulheres não gestantes, especialmente entre as de menor escolaridade, reforça a necessidade de estratégias de rastreamento e prevenção para além do contexto pré-natal.
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